Beisebol é física. Estatísticas. Suor. Então, quando uma sobreposição digital disse a 40 mil pessoas em Seattle que tinham acabado de ver magia, foi estranho. Não porque a tecnologia fosse ruim, mas porque funcionava rápido demais.
1º de maio. Kansas City x Seattle.
Cole Ragans lança uma bola rápida. Leo Rivas rebate, erra, é expulso. A multidão geme, ou talvez aplaude, depende de que lado você está. Mas então Rivas faz algo estranho.
Ele bate no capacete.
Duas vezes.
Esse é o sinal. Golpe de bola automático ou ABS. Você tem segundos para ativá-lo. Se você perder a janela, a chamada permanece. Os olhos vão para a tela grande. Uma animação é carregada. Mostra o caminho do pitch. Dados empíricos dizem que a bola passou pelo escanteio. Foi uma greve.
O árbitro estava certo.
A multidão odiou.
A tecnologia por trás do Tapp
Isso não é mágica. É Olho de Falcão. Doze câmeras cercando o campo. Apontando para o monte. Placa inicial. Eles rastreiam a transferência. O lançamento. O movimento.
Eles conversam entre si por meio de uma rede privada T-Mobile 5G. Usa rádios Ericsson Dot – pequenos discos com barbatanas, do tamanho de um prato de jantar, escondidos no banco de reservas, na cabine de imprensa, nas sombras. Espectro N41 da T-Mobile (2,5 GHz). Menos interferência. Menos ruído.
A baixa latência é importante aqui. 2,3 milissegundos, de acordo com John Saw, CTO da T-Mobile.
Quando Rivas bate na cabeça, o sistema analisa. Constrói uma animação 3D. Projeta-o no jumbotron. O objetivo? Dezessete segundos. Eles têm uma média de 15,4.
Quinze segundos parecem uma eternidade. Também parece nada.
John Stanton, dono dos Mariners (e ajudou a fundar o que se tornou a T-Mobile), disse que isso tinha que acontecer. Os telespectadores viram a caixa. Eles viram as bolas e os golpes em realidade de alta definição. Os torcedores do estádio contavam com um cara listrado.
“Isso minou a credibilidade do beisebol”, disse Stanton.
Chamadas ruins constrangem os árbitros. Eles fazem os fãs se sentirem tolos. A solução não consistia em remover o humano. Tratava-se de validá-los.
Os dados estão arruinando o jogo?
Você poderia argumentar que isso mata o espírito. Esse beisebol deveria ser baseado em olhos e instintos, não em algoritmos e redes 5G.
Os puristas se irritam.
A T-Mobile sabia disso. Amy Azzi, vice-presidente de patrocínios, considerou esse o seu maior medo. Os fãs rejeitariam a tecnologia?
Os dados dizem que não. 91% dizem que o ABS melhorou o jogo. 76% gostaram mais da experiência.
“Este estádio ilumina-se”, disse Azzi. Quando uma chamada muda, o lugar explode. Torna-se um comício.
Cada equipe recebe dois desafios. Use-o e erre, você o perde. Faça certo, você fica com ele. Então, se você acha que o árbitro o surpreendeu em um controle deslizante limítrofe, vá em frente.
Mas acrescenta estratégia. Jerry Dipito, operador de beisebol dos Mariners, diz que paciência é a chave agora. Não toque apenas porque está com raiva. Aguarde o momento que vira o jogo.
“Precisamos ligar o interruptor na hora certa”, disse ele.
Fator humano? Ainda está lá. Dipito apontou para um jogo dos Twins. Minnesota queimou seus desafios na sexta entrada. No nono, Seattle escapou com duas bolas que pareciam bolas. Mas Cal Raleigh, seu apanhador, enquadrou -os como golpes. Fez com que parecessem que o prato os comeu.
“[Raleigh] virou o jogo”, Dipito riu. “Ele fez com que parecesse um golpe.”
A tecnologia não salvou a vitória naquela noite. Seattle perdeu por 7-6. Cinco home runs. Quatro revisões de ABS. Um retorno que fracassou.
Os dados rastreiam o tom. Não rastreia o coração. Não inteiramente.
Talvez esteja tudo bem.
